Todo mundo tem lá seus defeitos, mas o problema do Zé...bom, o Zé tinha o cérebro do avesso e isso, com certeza, não era legal.
Já quando criança o Zé nem era criança. Fazia tudo o que tinha de fazer: Rodava peão, empinava pipa e jogava bola, mas tudo sem arte e sem graça. Fazia como quem faz um relatório de 300 laudas sobre o aquecimento da economia chinesa para um chefe que sabe-se que não vai ler. E ninguém “lia” a vida do Zé mesmo: - Criança morta. Criança boba. Fazia tudo de maneira formal e, por isso, assim como o relatório, o Zé ia parar na gaveta de descarte.
E o Zé cresceu e, como qualquer um que tem o cérebro do avesso, virou criança. Fazia farra e folia. Em tudo via arte, em tudo via graça. Andava como se fosse leão: com coragem e ímpeto. Era rei de si mesmo. E todo mundo assistia a vida do Zé : - Rapaz bobo. Rapaz alucinado. Vivia como se não houvesse um porquê e, por isso, assim como o leão, o Zé foi parar em uma jaula.
O Zé – esse Zé aí – tinha o cérebro do avesso. Não matou passarinho e não quebrou vidraça. Não bebeu cachaça e pulou o muro do cemitério. Não fez sequer amor na praça. Não por não ter coragem, mas por não ter quem entendesse que quem tem o cérebro do avesso vê o mundo da forma como ele realmente é.

KKKKK IRADO O NOME AO CONTRARIO AGORA QUE TENDI
ResponderExcluirCê brincou muito na infância, né?
ResponderExcluirDe parabéns. Lindo o texto.
ResponderExcluirpô se inspirou na minha pessoa pra fazer o Zé?
ResponderExcluir- Aventuraaa!
gostei.
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