quinta-feira, 14 de julho de 2011

Bota pra fora, querido. Usa esse saquinho.


           
De tudo que se sente, nada é mais sincero que a náusea. O querer “botar pra fora”, o prenúncio do vômito, o arauto do regurgitado. Pode-se sempre mascarar o que vem de dentro, mas nunca quando se vem a força. 

É o aviso da violação às avessas que despeja o que não se digere, o  que não se dissolve, o que não se conforma.  O grito involuntário de um corpo inconformado com algo que lhe foi literalmente empurrado goela abaixo. 

Hoje a náusea está em desuso. Resta esquecida já que o corpo se habituou a tudo de mais nojento que se pode conceber. Hoje  náusea mais nada representa. É uma sensação recorrente  que nem mal incomoda a quem se arrisca a viver. Na verdade, hoje, sentir náusea é saber perceber aquilo que é de fato normal. 

A náusea é o sentimento mais sincero que existe, eu o disse. Eu a conheço e sei do valor que ela tem. Ela me lembra de que tudo aquilo que me é posto à mesa eu ingiro, eu digiro, mas nada assimilo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário