De tudo que se sente, nada é mais sincero que a náusea. O querer “botar pra fora”, o prenúncio do vômito, o arauto do regurgitado. Pode-se sempre mascarar o que vem de dentro, mas nunca quando se vem a força.
É o aviso da violação às avessas que despeja o que não se digere, o que não se dissolve, o que não se conforma. O grito involuntário de um corpo inconformado com algo que lhe foi literalmente empurrado goela abaixo.
Hoje a náusea está em desuso. Resta esquecida já que o corpo se habituou a tudo de mais nojento que se pode conceber. Hoje náusea mais nada representa. É uma sensação recorrente que nem mal incomoda a quem se arrisca a viver. Na verdade, hoje, sentir náusea é saber perceber aquilo que é de fato normal.
A náusea é o sentimento mais sincero que existe, eu o disse. Eu a conheço e sei do valor que ela tem. Ela me lembra de que tudo aquilo que me é posto à mesa eu ingiro, eu digiro, mas nada assimilo.

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